1. Sobre Idolatria. Metatron. Enoque. Tetragrama.
https://www.youtube.com/watch?v=0gRl189HY6Q
Obs:
1. Quem eram os Soferim?
Soferim (ESCRIBAS): Não eram exatamente o Sinédrio (a suprema corte judaica) do século IV a.C., mas sim uma classe de sábios e escribas que atuou durante o período do Segundo Templo (aproximadamente do século VI ao I a.C.). Eles eram os guardiões, copistas e intérpretes do texto sagrado.
A Grande Assembleia (Knesset HaGedolah): A instituição que seu professor mencionou provavelmente é a "Grande Assembleia", um corpo de 120 sábios, profetas e escribas que, segundo a tradição judaica, foi estabelecida por Ezra e Neemias após o retorno do exílio babilônico (por volta do século V a.C.). Os Soferim eram parte integrante ou sucessores desta assembleia. Eles foram responsáveis por canonizar os textos, estabelecer a liturgia e, sim, fazer certas emendas textuais.
2. O que são os "Tikkunei Soferim"?
A tradição rabínica (preservada no Talmude e no Midrash) afirma que os Soferim fizeram um número específico de alterações no texto da Torá para evitar implicações teológicas problemáticas ou leituras irreverentes.
Número de Emendas: O número exato é debatido. As fontes mais antigas falam de 18 emendas. Fontes posteriores, como o Massora (o sistema de anotações que padronizou o texto bíblico), listam até 27 locais onde essas emendas teriam ocorrido. A discrepância se deve a como se conta e classifica cada alteração.
3. O Objetivo Principal: Evitar Antropomorfismo
O seu professor estava absolutamente correto. O objetivo central dessas emendas era suavizar ou remover antropomorfismos – isto é, descrições de Deus em termos excessivamente humanos, que pudessem levar a uma compreensão corpórea ou limitada do Divino.
Na sua forma original (de acordo com a tradição), o texto "bruto" da revelação continha expressões muito diretas. Os Soferim alteraram a leitura pública do texto (o Q're, "o que se lê"), mantendo a escrita original (K'tiv, "o que está escrito") intacta nos pergaminhos sagrados.
4. Exemplos Concretos e Famosos
Vamos a alguns dos exemplos mais célebres, que ilustram perfeitamente a remoção do antropomorfismo:
a) "Ver a Deus" (Êxodo 24:10)
Texto Original (K'tiv): Diziam ter visto "o Deus de Israel".
Emenda dos Soferim (Q're): Eles alteraram a leitura para "a Glória do Deus de Israel".
Motivo: Evitar a ideia direta e física de que seres humanos mortais poderiam "ver" a essência de Deus.
b) "Não Me provoqueis" (Números 11:15)
K'tiv: Moisés diz a Deus: "Não me provoques Tu" (ou "não me causes mal").
Q're: A leitura foi alterada para "Não me provoques a mim" (implicando "não me faças carregar este fardo sozinho").
Motivo: Evitar uma expressão que soa como uma ameaça ou uma repreensão direta e irreverente a Deus.
c) "Desprezaram-Me" (1 Samuel 3:13)
K'tiv: Deus diz sobre a família do sacerdote Eli: "Pois seus filhos desprezaram-Me".
Q're: A leitura foi alterada para "Pois seus filhos desprezaram a Deus".
Motivo: Trocar o pronome de primeira pessoa ("Me") por um termo em terceira pessoa ("a Deus"), criando um distanciamento reverente e evitando uma declaração direta e pessoal de desprezo contra o Divino.
d) "Temer a Mim" (Zacarias 2:12)
K'tiv: "Aquele que tocar em vós, toca na menina do Meu olho."
Q're: "Aquele que tocar em vós, toca na menina do Seu olho."
Motivo: Mais uma vez, substituir um antropomorfismo muito vívido ("Meu olho") por uma forma mais impessoal ("Seu olho").
5. Outros Tipos de Emendas
Além de corrigir antropomorfismos, os Tikkunei Soferim também incluíam:
Eufemismos: Substituir termos considerados ofensivos ou grosseiros quando aplicados a Deus ou a figuras importantes. Um exemplo clássico é em 2 Reis, onde a expressão "abençar a Deus" (que pode ser lida como um eufemismo para "amaldiçoar") foi substituída em algumas leituras.
Correções Gramaticais: Ajustes para melhorar a clareza ou a gramática do texto.
Resumo e Significado
Não foi uma "reescrita" da Bíblia: É crucial entender que os Soferim não reescreveram a Torá. Eles estabeleceram uma tradição de leitura pública que preservava a integridade do texto escrito (K'tiv) enquanto orientava a comunidade sobre como interpretá-lo de forma reverente (Q're).
Reflexão Teológica Profunda: As emendas revelam uma sofisticação teológica muito precoce. Elas mostram que os sábios judeus já estavam profundamente preocupados em purificar o conceito de Deus, afastando-o de qualquer noção de fisicalidade, limitação ou emoção humana negativa.
A Base da Tradição Oral: Os Tikkunei Soferim são um dos primeiros e mais poderosos exemplos da "Tradição Oral" (Torá She'b'al Peh) em ação, interpretando e adaptando a "Tradição Escrita" (Torá She'bichtav) para as necessidades e entendimentos da comunidade.
Soferim (ESCRIBAS): Não eram exatamente o Sinédrio (a suprema corte judaica) do século IV a.C., mas sim uma classe de sábios e escribas que atuou durante o período do Segundo Templo (aproximadamente do século VI ao I a.C.). Eles eram os guardiões, copistas e intérpretes do texto sagrado.
A Grande Assembleia (Knesset HaGedolah): A instituição que seu professor mencionou provavelmente é a "Grande Assembleia", um corpo de 120 sábios, profetas e escribas que, segundo a tradição judaica, foi estabelecida por Ezra e Neemias após o retorno do exílio babilônico (por volta do século V a.C.). Os Soferim eram parte integrante ou sucessores desta assembleia. Eles foram responsáveis por canonizar os textos, estabelecer a liturgia e, sim, fazer certas emendas textuais.
2. O que são os "Tikkunei Soferim"?
A tradição rabínica (preservada no Talmude e no Midrash) afirma que os Soferim fizeram um número específico de alterações no texto da Torá para evitar implicações teológicas problemáticas ou leituras irreverentes.
Número de Emendas: O número exato é debatido. As fontes mais antigas falam de 18 emendas. Fontes posteriores, como o Massora (o sistema de anotações que padronizou o texto bíblico), listam até 27 locais onde essas emendas teriam ocorrido. A discrepância se deve a como se conta e classifica cada alteração.
3. O Objetivo Principal: Evitar Antropomorfismo
O seu professor estava absolutamente correto. O objetivo central dessas emendas era suavizar ou remover antropomorfismos – isto é, descrições de Deus em termos excessivamente humanos, que pudessem levar a uma compreensão corpórea ou limitada do Divino.
Na sua forma original (de acordo com a tradição), o texto "bruto" da revelação continha expressões muito diretas. Os Soferim alteraram a leitura pública do texto (o Q're, "o que se lê"), mantendo a escrita original (K'tiv, "o que está escrito") intacta nos pergaminhos sagrados.
4. Exemplos Concretos e Famosos
Vamos a alguns dos exemplos mais célebres, que ilustram perfeitamente a remoção do antropomorfismo:
a) "Ver a Deus" (Êxodo 24:10)
Texto Original (K'tiv): Diziam ter visto "o Deus de Israel".
Emenda dos Soferim (Q're): Eles alteraram a leitura para "a Glória do Deus de Israel".
Motivo: Evitar a ideia direta e física de que seres humanos mortais poderiam "ver" a essência de Deus.
b) "Não Me provoqueis" (Números 11:15)
K'tiv: Moisés diz a Deus: "Não me provoques Tu" (ou "não me causes mal").
Q're: A leitura foi alterada para "Não me provoques a mim" (implicando "não me faças carregar este fardo sozinho").
Motivo: Evitar uma expressão que soa como uma ameaça ou uma repreensão direta e irreverente a Deus.
c) "Desprezaram-Me" (1 Samuel 3:13)
K'tiv: Deus diz sobre a família do sacerdote Eli: "Pois seus filhos desprezaram-Me".
Q're: A leitura foi alterada para "Pois seus filhos desprezaram a Deus".
Motivo: Trocar o pronome de primeira pessoa ("Me") por um termo em terceira pessoa ("a Deus"), criando um distanciamento reverente e evitando uma declaração direta e pessoal de desprezo contra o Divino.
d) "Temer a Mim" (Zacarias 2:12)
K'tiv: "Aquele que tocar em vós, toca na menina do Meu olho."
Q're: "Aquele que tocar em vós, toca na menina do Seu olho."
Motivo: Mais uma vez, substituir um antropomorfismo muito vívido ("Meu olho") por uma forma mais impessoal ("Seu olho").
5. Outros Tipos de Emendas
Além de corrigir antropomorfismos, os Tikkunei Soferim também incluíam:
Eufemismos: Substituir termos considerados ofensivos ou grosseiros quando aplicados a Deus ou a figuras importantes. Um exemplo clássico é em 2 Reis, onde a expressão "abençar a Deus" (que pode ser lida como um eufemismo para "amaldiçoar") foi substituída em algumas leituras.
Correções Gramaticais: Ajustes para melhorar a clareza ou a gramática do texto.
Resumo e Significado
Não foi uma "reescrita" da Bíblia: É crucial entender que os Soferim não reescreveram a Torá. Eles estabeleceram uma tradição de leitura pública que preservava a integridade do texto escrito (K'tiv) enquanto orientava a comunidade sobre como interpretá-lo de forma reverente (Q're).
Reflexão Teológica Profunda: As emendas revelam uma sofisticação teológica muito precoce. Elas mostram que os sábios judeus já estavam profundamente preocupados em purificar o conceito de Deus, afastando-o de qualquer noção de fisicalidade, limitação ou emoção humana negativa.
A Base da Tradição Oral: Os Tikkunei Soferim são um dos primeiros e mais poderosos exemplos da "Tradição Oral" (Torá She'b'al Peh) em ação, interpretando e adaptando a "Tradição Escrita" (Torá She'bichtav) para as necessidades e entendimentos da comunidade.
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